Sexta-feira, 19 de Agosto de 2011

JOÃO SILVESTRE

AVÔ RIBATEJO

TEJO ARRIBA SAUDOSA FRAGATA

DE MEUS AVÓS, VELAS A TODO O PANO

"FIXA O LEME!, GRITA O MESTRE-"GAITA"

"OLHA O BAIXIO, AINDA TE ESGANO"...

 

MEU AVÔ, O MESTRE, PELE TISNADA

PELO SOL, PELO GELO, ERGUIA A VOZ!

TEJO ABAIXO, MELÕES, CORTIÇA, A BARCADA

ALMEIRIM, Vª FRANCA, ALHANDRA, ENFIM A FOZ!

 

TEJO ARRIBA, AÇÚCAR, O FIEL AMIGO, O SAL...

VENCER A VIDA, A CORRENTE DO RIO GRANDE

DURA EMPRESA, FRAGATA, ESTREITO O CANAL

RIJOS HOMENS, MÃOS DE AÇO, ALMA DE GIGANTE!

 

RIBATEJO ANTIGO, BELO, VIDA MARINHEIRA

AS VELAS BRANCAS TEJO ARRIBA, TEJO ABAIXO

ASAS DE GAIVOTAS, VISTAS DA RIBEIRA ....

DE SANTARÉM, DE VALADA, DO CARTAXO...

 

SAUDADES RIBATEJANAS DE OUTRA ERA

ECOS DO VENTO, NA CALMARIA A ESPERA

ANCORADOS AOS PÉS DE SANTA IRIA !

 

ORANDO SUAS PRECES, HOMENS DE FÉ

ROGANDO PELO VENTO, FOSSE BOA A MARÉ

LOBOS DO TEJO, DEVOTOS DA SANTA, SUA GUIA!

 

AOS MEUS AVÓS E MEU PAI

 

João Silvestre

publicado por João Chamiço às 12:19
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Quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

FRANCISCO HENRIQUES (XICO PISCO)

 

"DECLARAÇÃO DE AMOR A ALMEIRIM"
 
Amo-te... Porque foste o meu Rincão,
O meu Vergel, o meu Jardim Florido...
- Embora nem um palmo do teu chão
Alguma vez me tenha pertencido.
 
 Amo-te... por aqui se terem dado
As Cortes em que orou Febo Monis...
- Conquanto não se tenha proclamado
Esse rei português que o povo quis.
 
Amo-te... porque exaltas na Campina
O cântico de amor à liberdade...
- E contudo o teu jugo me domina
Como se fora uma prisão sem grade.
 
Francisco Henriques

  

 

Quem passa distraído ou apressado pelos jardins da Biblioteca Marquesa de Cadaval, pode não reparar no busto de Homem que ali se encontra, e os que nele reparam, saberão alguma vez a razão que nos levou a escrever a palavra Homem com (H) grande? Francisco Henriques, é esse o seu nome. Não era, é! Que importa que o homem tenha já partido de entre os vivos se o poeta que ele é irá viver para sempre?
O propósito primeiro deste blog é dar a conhecer os poetas de Almeirim de ontem e de hoje na certeza de que todos eles serão também de amanhã se não os deixarmos morrer dentro de nós.
"CÂNTICO À MINHA TERRA" livro editado pelo Jornal Mirante em 1999 (1ª edição e 2003 a 2ª), foi a consagração do poeta Francisco Henriques (Xico Pisco) a escasso tempo da sua partida de entre os vivos em 24 de Maio de 2002.
Nascido em Almeirim, não conseguiu nunca abandonar a sua terra natal. Passou por isso ao lado de uma carreira artística em Belas Artes por não querer trocar Lisboa pela terra que o viu nascer.
Não tendo feito grandes estudos era mesmo assim detentor de uma grande cultura e um verdadeiro mestre no domínio da língua portuguesa. A sua obra poética é digna da nossa admiração. É aliás digna de ser tida como referência para todos os que se revêem na poesia e gostam de escrever.
Na sua obra podemos beber ensinamentos de toda a ordem, pena é que grandes poetas como Francisco Henriques e outros não sejam ensinados ainda que ao de leve fosse nas nossas escolas locais.
No prefácio da 1ª edição ele dizia assim: Este é o livro que sempre desejei escrever.
Inteiramente dedicado a Almeirim, é o único meio que tenho de dar alguma coisa à terra que tudo me deu - Berço, Lar, Família, Trabalho, Beleza, Inspiração - e espero que me dê a Sepultura.
Ninguém sabe porque nasce numa terra e não noutra. Mas eu sinto que só poderia ter nascido aqui, como um lírio triste que somente neste vale se daria bem.
Tal como àqueles a quem votei amor ou amizade, levarei Almeirim no mais íntimo da alma; o coração na terra-mãe ficará, e continuará a pulsar neste derradeiro cântico à minha terra, corolário da minha terna e apaixonada declaração de amor a Almeirim.
Francisco Henriques foi o poeta escolhido pela Associação de Defesa do Património de Almeirim para ser o Patrono dos Jogos Florais desta Cidade.
 
Veja nos endereços abaixo referências a Francisco Henriques
 http://canticosdabeira.blogs.sapo.pt/28839.html?view=20135#t20135
http://www.racal-clube.pt/Pages/Jogos-florais_Distinguidos.htm
publicado por João Chamiço às 19:26
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Sexta-feira, 22 de Agosto de 2008

QUEM NÃO TEM CÃO CAÇA COM GATO

Haverá provavelmente quem fique a pensar que este blog se destina a publicar trabalhos versando apenas ou quase, os 20Km de Almeirim.

 
Acontece que, obter um simples trabalho de cada poeta tem-se revelado praticamente uma “Missão Impossível”, razão pela qual optámos por publicar o que “há à mão”. (Quem não tem cão caça com gato), por isso, publicamos o que temos.
 
Deixamos aqui o nosso apelo a quem possa ter outro tipo de trabalhos destes poetas ou outras informações relevantes para um melhor conhecimento da nossa cultura local, que nos faça chegar a informação aos contactos seguintes:
 
tasajanela@sapo.pt
 
bouvons@hotmail.com
 
+351 914567470
 
João Chamiço
sinto-me: Expectante
publicado por João Chamiço às 00:20
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MATIAS VERÍSSIMO BENTO

 

20 Quilómetros são
A grande competição
Que em Almeirim se renova,
E de todos os lugares
Vêm atletas aos milhares
Para disputar a prova.
 
Cada qual com o seu porte,
Porém, todos de alma forte
E vontade de vencer;
Mas há sempre uma surpresa,
Pois ninguém tem a proeza
De chegar, ver e vencer.
 
Nem que corra como as corsas,
Tem de dosear as forças
Durante a longa corrida;
Mete em África uma lança
Quase mantém viva a esperança
Que acalentava à partida.
 
Quer das pernas quer dos braços,
São naturais os cansaços
Mesmo até num campeão;
De mais ou menos idade,
Todos em pé de igualdade
Corre que corre lá vão.
 
Corpo são e mente sã,
Nem o frio da manhã
De Inverno, a chuva, a geada,
Lhes arrefece a paixão,
Que o bater do coração
Marca o ritmo da passada.
 
Corpo alagado em suor
Seja melhor ou pior
Pois não há bom nem ruim
Maior ou menor atleta,
Eis que a volta se completa
Como um abraço a Almeirim.
 
Um abraço de amizade
Que envolve a nova cidade,
De pergaminhos antigos.
Franqueando a sua pista,
Assim Almeirim conquista
Mais uns milhares de amigos.
 
À tarde no pavilhão,
A justa consagração
Que aos atletas dá conforto,
Seja último ou primeiro,
Todos têm lugar cimeiro
Todos honram o desporto.
 
Matias Veríssimo Bento
publicado por João Chamiço às 00:13
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Domingo, 17 de Agosto de 2008

JOSÉ MANUEL FULGÊNCIO

 

O José Manuel Fulgêncio deslocou-se propositadamente a Monte Real para contratar alojamento de férias na Residencial “A Colmeia”. Deslocação aparentemente desnecessária, já que ele e a família eram ali clientes habituais de longa data. Ora, o assunto em causa poderia perfeitamente ser tratado por telefone tal como nos anos passados.
Acontece que desta feita, o amigo Fulgêncio possuía um animal de estimação daqueles que esmorecem perante a ausência prolongada dos donos.
Bem, mas nada melhor do que ler o que se segue para ficar a perceber como foi que o Zé Manel obteve a anuência da Gerência da Pensão para levar o bicho para as Termas.
 
                                                              VIAGEM A MONTE REAL
 
Fui no domingo a Monte Real,
Ali perto de Leiria,
Aquela, da água termal,
Que deixa a tripa sadia.
 
Convidei um amigo meu,
P`ra me fazer companhia,
Levou a família como eu,
Não por sofrerem de azia.
 
Fui para tratar afinal,
De conseguir permissão,
P`ra levar um animal,
A estagiar na pensão.
 
Logo à entrada se vê
A placa de "Animais, não"!
Dúvidas, enfim porquê?
Se não é gato nem cão.
 
A questão foi posta então,
Talvez o pedido passasse,
E ouvi como condição,
Ter duas patas e falasse.
 
Vinha então a calhar bem,
Porque estava no contexto,
Mesmo com penas também,
Não serviria de pretexto.
 
Formuladas as conclusões,
Para a admissão formal,
Salvo novas opiniões,
Posso trazer o animal.
 
Ficou o registo no papel,
Para o ingresso sem mágoas,
O papagaio do Zé Manel,
Vai este ano para águas.
 
José Manuel Fulgêncio
2002-07-15
 
publicado por João Chamiço às 22:23
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Sábado, 16 de Agosto de 2008

MANUEL ANDRADE

MANUEL ANDRADE

Manuel Lima Monteiro Andrade.

Quando não sabemos nós mesmos falar das coisas ou das pessoas, é nosso dever darmos a palavra a quem delas sabe.

Na impossibilidade de o fazer, aqui deixamos algumas passagens do prefácio escrito por Jaime Nogueira Pinto no livro póstumo “MÃOS ABERTAS” poesia, de MANUEL LIMA DE ANDRADE.

 

- Quando me pediram que escrevesse algumas palavras de introdução a estes poemas de um amigo desaparecido, poemas que mãos familiares e piedosas recolheram, com o amor e a dor de quem muito quis e muito perdeu, fiquei receoso. Comovido, pois que tocado naquilo que os dias e os homens me ensinaram ser mais valioso e verdadeiro, a fraternidade dos amigos e camaradas, transformada, por crueza da sorte, em sangue e silêncio quando alguém como o Manuel de Andrade, parte definitivamente e só o podemos relembrar.

Se um dia se fizer a história desta geração, que foi do Manuel de Andrade, minha e duns poucos amigos comuns, há-de encontrar-se uma galeria de homens e ideias novas.

 

Manuel de Andrade tinha um sentido estético, que se inclinava para os momentos belos, para as coisas, mas também para a ruína das coisas.

 

Mais uma vez vem á baila a frase célebre de Fernando Pessoa; “morrer é só não ser visto”….. E o Manuel de Andrade está aí, bem presente, está nestes versos, imagem fiel do que foi e criou. Versos de um jovem que sabia segredos e conhecia os outros.

Creio que a mensagem e memória do Manuel de Andrade, ficava bem assim, como uma lembrança e uma saudação a uma Rosa, à Terra, à Vida, aos vivos.

Deus o levou para Si, num dia de Setembro, ao começo da manhã.

 

    Do prefácio de Jaime Nogueira Pinto

 

MEUS BEIJOS

 

Na nocturna solidão

Meus beijos de longe vão

Cair mortos a teus pés

Vão no luar irmanados

Correndo loucos, coitados,

À noite de lés a lés.

 

Na noite sonho liberto

Sinto talvez mais perto

O calor do teu olhar

E a minha canção vadia

Com a noite magra e fria

Sem te poder encontrar.

 

Quando pela madrugada

Vem a verdade orvalhada

E a fria realidade

Tudo então desaparece

E do que a luz esvanece

Fica somente a saudade.

 

                                                        Manuel de Andrade

 

 

PORQUE HEI-DE CHORAR POR TI?

 

Tive pena de deixar-te

Tive pena mas parti.

Só se chora por quem parte

Porque hei-de chorar por ti?

 

No rasto do teu caminho

Canse-me de procurar-te

Mas quando parti sozinho

Tive pena de deixar-te

 

Dessa paz branda e serena

Que nos teus olhos senti

Confesso que tive pena

Tive pena, mas parti.

 

Porque razão teimarei

Se não sirvo para amar-te?

Parti e não chorarei

Só se chora por quem parte.

 

Se tu nunca te lembraste

Daquele amor que senti,

Se nunca por mim choraste

Porque hei-de chorar por ti?

                                                        

                       Manuel de Andrade

publicado por João Chamiço às 23:18
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JOÃO CHAMIÇO

                  TRIBUTO A HELDER MAÇÃO

 

 Nos altares desta terra
Há um poema que encerra
Rimas, dores, emoção;
E em músicas de encanto
Foi num refrão de canção
Que te chorámos em pranto.
                     |
Hoje, foi a despedida
Desta tua curta vida
Foi tão breve o teu caminho;
Tudo nesta terra deste,
Mas à partida tiveste
Pagas de amor e carinho.
                    |
Quarenta anos intensos
De sobressaltos incensos
Moldaram o teu destino;
Hélder Vitória Mação;
Hoje teu corpo menino
Vencido, o deste ao chão.
                   |
Mas tua morada nova
Não se esgota nessa cova
Em que te vi sepultar;
Nas estrelas desesperam
Os poetas que escreveram
Teus versos por inventar.
                   |
Leva-lhes aquelas linhas
Que à mãe que então já não tinhas
Com saudades dedicaste;
Leva de teu pai o choro
E de teus irmãos em coro
As penas que lhes deixaste.
                   |
Tudo são sonhos, quimera
E a vida é primavera
De goivos, rosas, espinhos;
Mas os bens materiais
São as pedras dos caminhos
Que não vão p’ra onde vais.
 |
Almeirim, 2006-08-10
João Chamiço

  

 

                      20 Km de Almeirim

 

            Corre como um caudal infinito

Como um rio, sem principio nem fim
Transformado em mar de gente, bonito
Que inunda de lés a lés Almeirim.
.
Correm nele, caras de tantas cores,
E correm crianças, velhos e novos.
Corram, corram, senhoras e senhores!
Que esta corrente é de todos os povos!
.
Corram, nesta corrente turbulenta
Em que se confundem; foz e nascente
Em vagas de preia-mar incontida.
.
Na mansa baixa-mar de marcha lenta
Em que mesmo os náufragos, facilmente
Se alheiam, de outras tragédias da vida.
.
João Chamiço
publicado por João Chamiço às 01:57
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Sexta-feira, 15 de Agosto de 2008

JOÃO DA SILVA GODINHO

          Esta que investe de alma e coração

          Em projecto de enaltecer o país

          Que apenas com nove anos tem raiz, 

          E vai trazendo frutos à nação!

 

          Considerada ainda em embrião

          Mas grande como em gíria se diz,

          Já tem a nomeada que Deus quis

          E terá um alto e justo galardão!

 

          É uma prova grande entre as primeiras

          Cuja fama já passou além fronteiras,

          Amadora cem por cento quanto a mim:

 

          Não tem paralelo em Portugal,

          O título que se tornará imortal

          São os vinte quilómetros de Almeirim!

 

                                                   João da Silva Godinho

 

                                     In 9.ª edição dos (20 km de Almeirim – 1995)

publicado por João Chamiço às 22:40
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