Sábado, 16 de Agosto de 2008

MANUEL ANDRADE

MANUEL ANDRADE

Manuel Lima Monteiro Andrade.

Quando não sabemos nós mesmos falar das coisas ou das pessoas, é nosso dever darmos a palavra a quem delas sabe.

Na impossibilidade de o fazer, aqui deixamos algumas passagens do prefácio escrito por Jaime Nogueira Pinto no livro póstumo “MÃOS ABERTAS” poesia, de MANUEL LIMA DE ANDRADE.

 

- Quando me pediram que escrevesse algumas palavras de introdução a estes poemas de um amigo desaparecido, poemas que mãos familiares e piedosas recolheram, com o amor e a dor de quem muito quis e muito perdeu, fiquei receoso. Comovido, pois que tocado naquilo que os dias e os homens me ensinaram ser mais valioso e verdadeiro, a fraternidade dos amigos e camaradas, transformada, por crueza da sorte, em sangue e silêncio quando alguém como o Manuel de Andrade, parte definitivamente e só o podemos relembrar.

Se um dia se fizer a história desta geração, que foi do Manuel de Andrade, minha e duns poucos amigos comuns, há-de encontrar-se uma galeria de homens e ideias novas.

 

Manuel de Andrade tinha um sentido estético, que se inclinava para os momentos belos, para as coisas, mas também para a ruína das coisas.

 

Mais uma vez vem á baila a frase célebre de Fernando Pessoa; “morrer é só não ser visto”….. E o Manuel de Andrade está aí, bem presente, está nestes versos, imagem fiel do que foi e criou. Versos de um jovem que sabia segredos e conhecia os outros.

Creio que a mensagem e memória do Manuel de Andrade, ficava bem assim, como uma lembrança e uma saudação a uma Rosa, à Terra, à Vida, aos vivos.

Deus o levou para Si, num dia de Setembro, ao começo da manhã.

 

    Do prefácio de Jaime Nogueira Pinto

 

MEUS BEIJOS

 

Na nocturna solidão

Meus beijos de longe vão

Cair mortos a teus pés

Vão no luar irmanados

Correndo loucos, coitados,

À noite de lés a lés.

 

Na noite sonho liberto

Sinto talvez mais perto

O calor do teu olhar

E a minha canção vadia

Com a noite magra e fria

Sem te poder encontrar.

 

Quando pela madrugada

Vem a verdade orvalhada

E a fria realidade

Tudo então desaparece

E do que a luz esvanece

Fica somente a saudade.

 

                                                        Manuel de Andrade

 

 

PORQUE HEI-DE CHORAR POR TI?

 

Tive pena de deixar-te

Tive pena mas parti.

Só se chora por quem parte

Porque hei-de chorar por ti?

 

No rasto do teu caminho

Canse-me de procurar-te

Mas quando parti sozinho

Tive pena de deixar-te

 

Dessa paz branda e serena

Que nos teus olhos senti

Confesso que tive pena

Tive pena, mas parti.

 

Porque razão teimarei

Se não sirvo para amar-te?

Parti e não chorarei

Só se chora por quem parte.

 

Se tu nunca te lembraste

Daquele amor que senti,

Se nunca por mim choraste

Porque hei-de chorar por ti?

                                                        

                       Manuel de Andrade

publicado por João Chamiço às 23:18
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